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      PRECE DO YOGUIN - Por José Hermógenes


SENHOR, ESTOU AQUI, para adorar-Te nos santos de todas as religiões; em catedrais, sinagogas, capelas, mosteiros, mesquitas, terreiros; em ladainhas, terços, mantras, pujas, missas, rituais e ofícios; em todos os altares; nas florestas, nas praias, nas ruas, nas casas, nas estradas, nos corações, em sorrisos e lágrimas, em todos, em tudo...


Vem ajudar-me, dando pureza, infinito, eternidade e universalidade a meu amor.


Eis-me aqui Senhor Jesus, Senhor Buda, Maitreya, Senhor Krishna, Sai Baba, Maria de Nazaré, Ramakrishna, Babá-U-Lláh, Inayt Khan, Sankara, Ramanuja, Ramana, Santa Teresa...


Eis-me aqui todos os Avataras, Rishis, Siddhas, Gurus, Mahatmas, Hierarcas, Santos conhecidos e desconhecidos.


Quero aprender o Amor que liberta.


Aqui estou, Senhor Supremo, para que me ajudes a vencer a frustradora ignorância; a afastar ilusões, enganos e encantos; a afastar-me dos opostos obsedantes, a retirar a venda de meus olhos...


Já não me satisfaz o vulgar conhecer intelectual.


Quero agora vivenciar a Verdade que liberta.


Eis-me aqui, Senhor, como instrumento impessoal. Querendo apenas servir. Lança mão de mim em teu divino agir.


Quero aprender a empreender o Agir que liberta.


Faz de minha mente, meu Deus, o teu sacrário.


Que Tua Paz a domine. Que Tua Luz a ilumine.


Diviniza, Senhor, minha mente.


Eis-me Senhor.


Tu és eu. Eu sou Tu.

 

Hermógenes. Yoga, Caminho para Deus, Ed. Nova Era,



      OS BENEFÍCIOS DO YOGA
  

A prática regular do Yoga traz benefícios que são sentidos e vividos de dentro para fora, gerando mais saúde, equilíbrio e bem-estar.

 

YOGA AUMENTA A CONDIÇÃO GERAL DE SAÚDE

 

Yoga libera a tensão física e mental, equilibra as funções do corpo (órgãos, nervos e glândulas), aumenta a energia vital, conduz o praticante a um estado de força, disposição e confiança, equilibrando corpo, mente e emoções. Yoga ajuda-o a administrar o cansaço e a fadiga; a combater a insônia; a controlar níveis de colesterol e pressão; a fortalecer os sistemas digestivos, respiratório e nervoso. Ou seja, o yoga eleva a imunidade geral.

 

 

YOGA PROMOVE UMA BOA CIRCULAÇÃO SANGUÍNEA 

 

A combinação dos ásanas (posturas), kriyas e pranayamas (técnicas respiratórias) reforça-se a circulação sanguínea e uma maior absorção de oxigênio e outros elementos, favorecendo um melhor funcionamento do organismo.

YOGA É BOM PARA O CORAÇÃO

 

Atuando para uma boa circulação sanguínea, impede o entupimento das artérias, proporcionando um coração saudável.

YOGA PREVINE DORES

 

Yoga melhora a  postura, promove alongamento dos músculos, flexibilidade e força, ajudando na conscientização corporal e na prevenção de dores na coluna e nas articulações.

 

YOGA MELHORA A RESPIRAÇÃO

 

Com kriyas e pranayamas, limpamos os canais energéticos, aprofundamos e controlamos o processo respiratório, garantindo a circulação e expansão da energia vital com o aumento da capacidade dos pulmões e das cavidades abdominais, oxigenação do cérebro. A respiração se torna uma ponte entre o corpo e a mente. Por isso as práticas respiratórias conscientes podem nutrir nosso espírito, aliviar tensões e curar até mesmo as piores feridas emocionais. Os exercícios respiratórios também servem como uma preparação para a meditação.

YOGA MELHORA O EQUILÍBRIO

 

Ásanas, kriyas, pranayamas, visualização, meditação melhoram o equilíbrio físico e mental, a concentração, o autocontrole e o autoconhecimento. Quem prática yoga e meditação regularmente alcança um controle da mente que possibilita escapar a pensamentos obsessivos e negativos.

 

YOGA REDUZ O ESTRESSE

 

Yoga ajuda a aliviar o estresse através das suas técnicas de pranayama, relaxamento e meditação. Os praticantes de yoga e meditação parecem ter maior habilidade em cultivar emoções positivas e de controlar a instabilidade emocional, evitando pensamentos negativos que podem aumentar a ansiedade e a depressão. Alguns estudos indicam até mesmo um fortalecimento do sistema imunológico. Além do “domínio mental”, o controle da respiração é fundamental. É obtido pela ativação do sistema nervoso parassimpático, o que produz sensação de relaxamento e de quietude profunda. Esta calmaria parece ser reforçada pela redução da produção do cortisol, hormônio ligado ao estresse. Os níveis de serotonina também parecem ser afetados durante a meditação, tendo efeito sedativo e calmante.

 

YOGA CONDUZ à PAZ MENTAL

 

O yoga aumenta a comunicação interna, favorecendo o autoconhecimento e o conhecimento das potencialidades e limites. Santosha, ou contentamento, é um dos objetivos do yoga. Em vez de buscar sentimentos felizes ou tentar evitar o sofrimento, o praticante aprende a aceitar e encontrar a paz com o que quer que seja, bom ou ruim. A prática leva-o em direção a equanimidade e profunda aceitação do que é. O praticante descansa pacificamente no aqui e agora. O yoga ensina que a verdadeira essência do praticante, o Eu superior, permanece imutável, não importa o que aconteça a sua volta.

 

YOGA É UMA PRÁTICA QUE AJUDA NA GRAVIDEZ E NO PARTO

 

Fisicamente, yoga mantém forte e flexível o corpo da gestante, capaz de enfrentar o peso extra e a hiperatividade dos hormônios. As posturas do yoga são ferramentas ideais para combater a fadiga, dores na coluna, dores de cabeça e distúrbios digestivos que sempre vêm na gestação. A prática diária fortalece o sistema endócrino e nervoso, vitais para a saúde da gravidez e do parto. Os exercícios respiratórios são aliados poderosos na hora do parto, além de toda consciência e controle da musculatura envolvida neste momento.


http://yogaceic.blogspot.com.br/2013_10_01_archive.html



Cinco motivos para não praticar Yoga

Perdi a conta das vezes que ouvi frases como:

 

«Eu precisava tanto praticar yoga…»

«Puxa, yoga ia me fazer tão bem…»

«Meu médico disse que eu devia fazer yoga…»

 

Reparem nos tempos verbais. O pretérito imperfeito torna claras duas coisas. Primeiro, pessoas que dizem isso sabem que o yoga realmente faz bem — e é verdade. Segundo, elas já desistiram antes de começar.

 

Questionadas sobre isso, essas pessoas oferecem justificativas diversas:

 

1-   «Não tenho dinheiro»

 

De fato, este obstáculo é importante, mas existem diversas formas de incluir uma atividade como o yoga no orçamento pessoal. É uma questão de prioridade.

 

Eu, por exemplo, quando notei que o yoga era uma questão de necessidade e de saúde, coloquei esta atividade no topo de minha lista. «Ah, mas você é professor, tem que priorizar mesmo»: sim, mas eu vi que era uma questão de necessidade muito antes de pensar em me tornar professor. E, de fato, os benefícios que tenho obtido são tão indiscutíveis e numerosos que sempre considerei o valor gasto com o yoga irrisório.

 

Quanto vale a sua saúde? Quanto você estaria disposto a pagar para ter o peso ideal, uma postura melhor, um sono tranqüilo e um corpo forte e flexível?

 

Não é necessário tentar estabelecer um valor para coisas que não têm preço, apenas compare o valor de uma mensalidade com o que uma pessoa comum pode gastar com médicos, planos de saúde, remédios para emagrecer, controlar a saúde e dormir, dietas, livros e revistas relacionadas a esse assunto, terapias tradicionais ou alternativas. É claro que a maioria destas coisas é boa e tem valor, mas apenas compare.

 

2-   «Não tenho tempo»

 

Esta justificativa é muito semelhante à anterior. A diferença é que lidamos aqui com algo mais abstrato. Entretanto, o tempo ainda é algo palpável o suficiente para ser organizado. Novamente, é uma questão de prioridade.

 

Praticar yoga pode parecer tempo perdido agora. à medida que o tempo passa, você perceberá que a saúde melhorou e isso certamente significará, como se costuma dizer, «mais anos em sua vida e mais vida nos seus anos».

 

Ademais, duas ou três horas de aulas de yoga equivalem a menos de 2% do total de horas de uma semana. Não é possível que você esteja tão louca e absurdamente atarefado que não consiga reservar duas ou três horas semanais para dedicar-se a fazer bem para si mesmo, para escutar sua própria respiração e sua própria voz interior.

 

3- «Não sou flexível/forte o suficiente»

 

Yoga não tem nada a ver com flexibilidade e força física. Nas últimas décadas muitos mestres e métodos cometeram o erro de permitir ou mesmo estimular a associação do yoga com esses dois atributos (sobretudo com o primeiro). Então, você vê imagens como esta…

 

         yoganidrasana


Você pode não ser flexível ou forte o suficiente para a postura da foto, mas o yoga não se limita a posturas e sempre haverá algo que você poderá fazer para progredir em seu próprio ritmo enquanto praticar yoga.

 

4- «Não tenho disciplina»

 

Das justificativas mencionadas até agora, esta é a mais séria e importante. Dizer «não tenho disciplina» equivale a dizer «quero praticar, mas não quero o suficiente».

 

Patañjali define em seus Yoga Sutras dois atributos fundamentais para quem quer se dedicar ao yoga: disciplina e desapego. Nesse texto clássico, a disciplina é entendida como o esforço constante, a firme decisão de seguir trilhando o Caminho escolhido. Sem isso, simplesmente não há prática e tudo será motivo para desvios, adiamentos, atrasos.

 

O que realmente a determina é a decisão pessoal e interior de dedicar-se ao yoga. Você é responsável por tudo aquilo que acontece a você: compreender esta verdade simples já é um grande passo para criar a disciplina necessária para dedicar-se ao yoga.

 

5-«Não gosto de yoga»

 

Aqui as frases podem variar um pouco. Em vez da frase acima, algumas pessoas podem dizer «é muito parado para o meu gosto» ou «parece ginástica com música indiana e incenso», frases que geralmente são ditas com o nariz torcido e uma expressão facial pouco agradável.

 

Em resposta a isso eu perguntaria se a pessoa realmente já fez uma aula de yoga ou, se já fez, se teve a idéia de experimentar uma aula numa outra escola, com outro professor. A maioria das escolas oferece aulas experimentais gratuitas e a maioria dos bons professores se disporá a esclarecer as dúvidas relacionadas às frases citadas no parágrafo anterior. Digo isso porque nem toda aula é «parada demais» (embora alguns dos objetivos do yoga incluam estabilizar o corpo e acalmar a mente), nem toda aula limita-se a «ginástica com música indiana» (a maioria das aulas desse tipo não chega a ser yoga) e nem toda aula inclui incenso (o ideal é que não haja incenso durante a prática, aliás).

 

Busque sempre aquilo que é melhor para você. Se você já experimentou o yoga, já sabe do que se trata e não gostou dele, realmente não há problemas.

 

http://yogailhabela.wordpress.com/2010/11/06/cinco-motivos-para-nao-praticar-yoga/



    Definição do Yoga
     Por Swami Sivananda

                     mudra_prana

A palavra “Yoga” vem da raiz sânscrita “Yuj”, a qual significa “unir”. Este é um sentido espiritual; é um processo pelo qual a identidade da alma individual, e a Alma Suprema, é realizado pelo Yogi (praticante de Yoga); onde a alma humana introduz-se internamente em comunhão com a Realidade Divina. Assim como a cânfora se torna una com o fogo, assim como um gota d’água quando é jogada dentro do Oceano torna-se una com ele, a alma individual, quando purificada, quando está liberada da luxúria, avareza, ódio e egoísmo, quando ela se torna pura (Sattvica), torna-se una com a Alma Suprema. A ciência que ensina o caminho para conseguir o conhecimento oculto é chamada de “Yoga Sastra”.

Yoga, no seu sentido genérico, refere-se a Karma-Yoga, Bhakti-Yoga, Raja-Yoga, Jñana-Yoga, Hatha-Yoga, Mantra-Yoga, Laya-Yoga ou Kundalini-Yoga. No sentido restrito, significa Ashtanga-Yoga, ou Raja-Yoga, de Patañjali Maharishii, apenas.

A palavra Yoga é também aplicável no sentido secundário para todos os fatores e práticas que conduzem para a realização ou concretização do Yoga, e, como tal, indiretamente conduzem para a liberação ou perfeição final. Similarmente, aquele que tem alcançado o Asamprajñata Samadhi final, ou união com a Realidade, é chamado de Yogi, assim como aquele que está tentando adquirir a perfeição no Yoga é também chamado de Yogi.

A filosofia do Yoga é um entre os seis sistemas de filosofias Hindus. Diferente de muitas outras filosofias no mundo, ela é uma filosofia inteiramente prática. O Yoga é uma ciência exata, baseada em certas leis imutáveis da Natureza. Ele é bem conhecido pelas pessoas de todo o mundo, interessadas no estudo da civilização e cultura do Oriente, assegurando no respeito e na reverência nos seus conteúdos na chave mestra que abre as portas do reino da Paz, da Bem-aventurança, do Mistério e do Milagre. Até mesmo os filósofos do Ocidente encontram consolo e paz nesta Ciência Divina. Jesus Cristo, em si mesmo, foi um Yogi, de uma ordem superior, um verdadeiro Raja-Yogi. O considerado fundador do Yoga, Patañjali Maharishi, não foi unicamente um filósofo e um Yogi, mas um médico também. Ele viveu três mil anos antes de Jesus Cristo.

O Yoga é um estado de Paz Absoluta, de tal maneira que não há nenhuma fantasia nem pensamentos. O Yoga é o controle da mente e de suas modificações. O Yoga nos ensina como controlar as alterações da mente e obter a liberação. Ele nos ensina como transmutar a natureza pecadora e alcançar o estado de Divindade. Ele é a completa supressão da tendência da mente transformar em si mesma no interior dos objetos dos sentidos, pensamentos, etc. O Yoga extermina toda a espécie de dores, misérias e tribulações. Ele dá a você a liberação da roda de nascimentos e mortes (Samsara); e dos seus conseqüentes malefícios, doença e velhice, etc., e concede a você todos os poderes Divinos e a liberação final, por intermédio do conhecimento superintuicional.

Yoga é eqüanimidade. Yoga é serenidade. A destreza nas ações é Yoga. Qualquer coisa, de melhor e mais elevada pode ser realizada na vida é, também, Yoga. O Yoga é, desta forma, o que tudo abraça, o que tudo inclui, e a sua aplicação universal conduz ao desenvolvimento de todas as qualidades do corpo, da mente é da alma,

Primariamente, o Yoga é um estilo de vida, não é alguma coisa pela qual se separa da vida. Yoga não é o abandono da ação, mas a sua execução eficiente, de boa vontade. Yoga não o fugir de casa e da habitação humana, mas um processo de modelagem das atitudes de alguém na sua casa, na sociedade, com um novo entendimento. Yoga não é afastar-se da vida, é a espiritualização da vida.

http://mundiphilosophorum.blogspot.com.br/2011/04/yoga-por-sri-swami-sivananda.html


      Quatro motivos para se praticar Yoga

Por Alexandre Perlingeiro

Do Yoga a parte mais conhecida aqui no Ocidente são os asanas, os exercícios físicos. Praticar Yoga virou sinônimo de adquirir um excelente preparo físico. E realmente a prática regular de asanas propicia bom tônus muscular, adquirindo o praticante força e alongamento.

            

Em função desse excelente trabalho muscular, Yoga vem sendo indicado por médicos no tratamento e prevenção de muitas doenças, principalmente aquelas relacionadas a problemas posturais e articulares

Yoga também é associada a relaxamento. Neste mundo tão desgastante em que vivemos, cheio de desafios a serem superados diariamente, muitos freqüentemente têm vivenciado sintomas de estresse. Nos casos mais graves o acompanhamento médico é essencial. E é a própria Medicina que vem atestando e recomendando Yoga para diminuir o grau de ansiedade e nervosismo. Simplesmente pelo fato de se perceber a respiração, já temos uma diminuição no estresse. Através de exercícios específicos de relaxamento, o Yoga tem se mostrado muito eficiente neste assunto. Assim, temos aí dois bons motivos para as pessoas praticarem Yoga: obter saúde física e psicológica

Há também um outro grupo: são aqueles que buscam desenvolvimento espiritual.

O Yoga contém um conjunto de valores que orientam o praticante, dando-lhe segurança para agir dharmicamente no mundo

Há também os que fazem Yoga sem motivo aparente. Perguntei uma vez a uma aluna: por que você quer fazer Yoga? Ela me respondeu com um sorriso: por que eu gosto. Talvez essa tenha sido a resposta mais sábia que ouvi até hoje.

Enfim, seja qual for o motivo, Yoga faz bem e incentivo que todos pratiquem.

http://www.ayurveda.com.br/ayurveda/home/default.asp?cod=173&cat=95


      Yogaterapia Integrativa:

Uma abordagem do Yoga para o Terceiro Milênio

Por Ernani Fornari (Dharmendra)

 

No movimento que vem sendo efetuado neste século no campo da abertura e da difusão da espiritualidade, no sentido de se aproximar Oriente e Ocidente, tem-se procurado geralmente somar o que há de melhor em cada um, para assim poder otimizar as técnicas e seus resultados.


No Yoga, essa "simbiose" também não podia deixar de ocorrer. Os conhecimentos ocidentais tem servido para comprovar, respaldar e corroborar as milenares teorias e técnicas de que o Yoga dispõe, e para incrementar a eficácia dessas mesmas antigas técnicas mediante o auxílio de outras tantas técnicas desenvolvidas aqui no Ocidente.

 
Hoje, no meio do Yoga, além de Pátañjali, ásanas e pránáyámas, também já se ouve falar em Reich, Lowen, Feldenkreis, RPG, antiginástica, Eutonia, Rolfing... numa busca de se encontrar uma linguagem comum que venha enriquecer todos os caminhos, e passar eficientemente a grande mensagem que é a do homem holístico que caminha rumo à plenitude, à Unidade.


 

E a grande mensagem do Yoga é justamente a de não "vender um peixe" específico, dogmático ou sectário, e sim traçar diretrizes amplas, porém bem fundamentadas, que levem em consideração que cada um é um conjunto de corpo-mente-emoção-espírito, uno em essência com seu semelhante, mas profundamente singular em sua manifestação.

Essa singularidade - aliada ao contexto ambiental e histórico em que o homem moderno se encontra, com todas as suas peculiaridades e desequilíbrios sociais, políticos, ecológicos, psicológicos, etc. - tem feito com que o Yoga tenha que se adaptar e se capacitar mais para atender mais eficientemente à demanda corpo-mente-emoção-espírito desse homem moderno estressado, desarmonizado e desequilibrado.

Esse esforço para otimização do trabalho do Yoga, unindo Oriente e Ocidente, tem sido realizado por várias pessoas e grupos em vários países do mundo, gerando os mais diversos estilos de trabalho, dependendo da área e da bagagem de quem fez a "releitura" do Yoga.

 

Na Yogaterapia Integrativa, esse trabalho holístico é feito sem que se perca de vista a espinha dorsal do Yoga, que é a sua filosofia, a sua ética e o seu embasamento teórico. Pátañjali ainda é a mola mestra da maioria das escolas de Yoga, embora não mais sob os auspícios da escola Sámkhya (a filosofia dualista que embasa Pátañjali em seu "Yoga Sútra"), e sim sob uma visão não-dual da Unidade (mais afeita portanto, à visão do Vedanta).

Yogaterapia Integrativa é Hatha Yoga, na medida em que utiliza seu instrumental: ásanas (posturas), pránáyámas (respiração), mudrás (gestos psicossomáticos), bandhas (contrações), kriyás (limpezas) e yoganidrá (relaxamento), para manter e/ou restaurar a saúde física.

 

É Tantra Yoga, na medida em que busca a saúde mental, emocional e energética atravéz do reequilíbrio da personalidade por meio da utilização do instrumental do Hatha Yoga (de maneira bastante mais ampla) e de diversas técnicas que trabalham as dimensões mais sutis de cada um, estudando e trabalhando profundamente o funcionamento e a importância de elementos tais como: os tanmátras (os órgãos dos sentidos), os mahabhútas (os 5 elementos), indriyas (órgãos de conhecimento e ação), os gunas (visão dialética tríplice da Criação), os koshas e sháríras (os corpos), os chakras (centros energéticos), as nádís (condutos de energia), os pránas (energia vital), a kundaliní, etc.

 

E é também Medicina Ayurvêdica (Medicina tradicional indiana), na medida em que leva em conta a avaliação e o reequilibrio dos 3 princípios ayurvêdicos: vata (ar), pitta (bílis) e kapha (fleuma). E o Hatha Yoga consta entre o arsenal utilizado por essa importante vertente da Medicina.

 

A Yogaterapia Integrativa é profundamente interagente com a Medicina ocidental, com a Fisioterapia, com a Educação Física e com a Nutrição, na medida em que trata (também) do corpo físico, e exige do profissional sólidos conhecimentos de Anatomia e Fisiologia.

 

Interage com a Psicologia ocidental, na medida em que o Yoga trabalha também no campo da psique e das emoções, exigindo do profissional fundamentos das principais escolas psicoterapêuticas ocidentais (que, de uma forma ou de outra, tem seu pé no Oriente).

 

Interage ainda com a Educação, na medida em que Yoga é fundamentalmente um trabalho de (re)educação, que exige do profissional conhecimentos nas áreas de Pedagogia e Didática.

 

E, por fim, (e sobretudo) Yogaterapia Integrativa é uma terapia eminentemente holística e "aquariana", na medida em que está aberta para lançar mão, despreconceituosamente, de técnicas e treinamentos psico-físicos ocidentais que ao final das contas, direta ou indiretamente, também tem seu berço no Yoga e só vem confirmar sua eficácia, fazendo ver aos ocidentais que Yoga não é só "coisa de gente mística".

 

É interessante fazer aqui um pequeno retrospecto histórico, e colocar para os leitores que o Hatha Yoga, tal como hoje o conhecemos, com sua metodologia e sua estrutura de aulas (geralmente coletivas ou individuais com sistema de fichas), é coisa relativamente recente (algo em torno do início do século XX)

 

O Hatha Yoga foi elaborado inicialmente por Gorakhnath, para que servisse como preparo do corpo e da energia para a prática do Rája Yoga. Dois textos mais famosos - o Hatha Yoga Pradipika (de Svátmáráma) e o Gheranda Samhitá - atestam literalmente esse fato.

 

A tradição hindu considera o Hatha Yoga como tendo sua gênese no Tantra, reportando-nos mitologicamente aos diálogos entre Shiva e sua consorte Parvati, como está indicado em outra escritura importante do Hatha Yoga, o Shiva Samhitá.


O Hatha Yoga é, na verdade, uma forma resumida do Tantra - mais específicamente do Dakshina Tantra (o Tantra da mão direita), - cuja finalidade principal é preparar o corpo para a meditação (Rája Yoga).

 

Como dizia acima, a estruturação pedagógica e metodológica do Yoga que conhecemos atualmente se desenvolveu mais recentemente, apresentando abordagens e estilos mais ou menos característicos (deixando em aberto a questão se de fato existe realmente um Hatha Yoga "clássico"). Tradicionalmente, esse ensino era feito individualmente de mestre para discípulo.

 

A grande afluência de ocidentais interessados em espiritualidade na Índia a partir do início do século, e o crescente agravamento do panorama da saúde nos tempos modernos, recolocou o Hatha Yoga em evidência, e vários mestres resolveram adaptar o ensino tradicional, colocando-o mais disponível à realidade agitada do mundo contemporâneo.

 

Devemos esse resgate do Hatha Yoga a vários nomes importantes, tais como: Swami Sivananda, de Rishikesh (e seus principais discípulos, tais como Swami Satyananda, Swami Vishnudevananda e Swami Satchidananda), que deu um enorme impulso ao Hatha Yoga, trazendo para o Ocidente o modelo de aulas coletivas com séries pré-estabelecidas; Shri Yogendra (e seus filhos), de Mumbai, que instituiu o método de fichas individualizadas, desenvolvendo e divulgando intensamente a Yogaterapia; T. Krishnamacharya e seus filhos, que desenvolveram a técnica de Vinyoga, onde em cada aula enfoca-se um só ásana, desenvolvendo-se uma sequência de posturas que preparam o corpo para o ásana objetivado; e B.K.S. Iyengar, de Poona, que, na minha opinião, é o grande responsável pelo que poderíamos chamar de "modernização" do Yoga no que tange ao aspecto físico, de saúde.

 

Iyengar ousou utilizar "ferramentas" (almofadas, blocos, cavaletes, cordas, etc.) para facilitar a prática dos emperrados ocidentais que a ele afluem abundantemente.

Ainda poderíamos citar Swami Kuvalayananda, Amrit Desai e tantos outros. E o trabalho da Yogaterapia Integrativa deve muito ao trabalho de todos esses Mestres, e bebe de todos os textos, indistintamente.

 

Sem abandonar o espírito do Yoga, a Yogaterapia Integrativa, sem preconceitos ou exagerados purismos, utiliza de variado instrumental de apoio físico (almofadas, bolas gymball, apoios de isopor e bambú, bolas de tênis, yogaprops, etc.); de variadas técnicas modernas derivadas do Hatha Yoga tradicional (Yoga em duplas, Yoga em grupo, Yoga restaurativa, yogassage, etc.) e variadas técnicas ocidentais e orientais para a conscientização, sensibilização e reequilíbrio fisico-psicológico-emocional (vivências com os 5 elementos, com os chakras, com os 3 doshas, com os 3 gunas, com os 5 koshas, além de meditações e relaxamentos), sempre buscando unir o que há de melhor e mais eficaz nesse encontro entre Ocidente e Oriente.

Toda esta "tecnologia" permite que seja feito um trabalho coletivo ou individual - sempre dentro de uma abordagem absolutamente personalizada -, alcançando uma alta eficácia nos casos que mais acometem e afligem o homem moderno: o malfadado stress, as terríveis dores na coluna e os preocupantes problemas cardiovasculares, respiratórios e digestivos, entre muitos outros.

 

É importante frisar insistentemente que todo esse trabalho gravita em torno da idéia da Unidade, da busca da plenitude total (sem que isso seja um exercício necessariamente religioso), e não apenas na conquista do alívio de alguma dor. A grande beleza desse método está no fato de o Yoga abrir um grande e fraterno leque, absolutamente eclético e ecumênico, que vem atender de forma integrada e profunda a todas as nossas características, diferenças e necessidades.


http://www.yoga.pro.br/artigos/151/3020/yogaterapia-integrativa-uma-abordagem-do-yoga-para-o-terceiro-milenio



      Chakras - Desenvolvimento pleno do ser

Por Paulo Murilo Rosas

"todos têm oportunidade de vivenciar a plenitude do Ser através da correta energização de cada um dos sete Chakras principais[...] a vida é um processo de autoconhecimento e é iniciada na hora em que somos gerados."
(Paulo Murilo Rosas)











Em cada personalidade existe a predominância de um dos sete Cakras principais e, assim, a visão da vida, do mundo e o conceito de Deus são peculiares a cada um desses níveis.

Trataremos, aqui, exclusivamente da concepção de Deus correspondente a esses diversos níveis de consciência ou de compreensão da vida.

A visão de Deus que corresponde ao Muladhara Cakra tem por base o medo; mais especificamente, o medo do desconhecido. O indivíduo se volta, portanto, para a sua própria preservação que, em última instância, é identificada à preservação de seu corpo, de seu bem-estar físico e material.

Numa personalidade em que predominem as características deste Cakra, a idéia de Deus está diretamente ligada à própria sobrevivência individual.

No caso do Svadhisthana Cakra, a visão é de um Deus todo-poderoso que, por isso mesmo, tanto inflige temor quanto protege, ampara e transmite segurança. Estando com este Deus, o indivíduo sente-se seguro, na certeza de que nada lhe faltará. Poderíamos dizer também que este é um Deus provedor: provê de tudo a seus filhos, que naturalmente são os seus eleitos.

No nível do Manipura Cakra, tem-se a noção de um Deus punitivo - “olho por olho, dente por dente” – que, por conseguinte, ajuda àqueles que agem corretamente e castiga os que fazem as escolhas erradas. É Ele que nos dá a noção de pecado (papa) e de virtude (punya), e nos ajuda a andar no caminho certo. No entanto, estaremos sempre sobre o fio da navalha pois este Deus pode nos conduzir ao céu, mas também pode nos deixar arder no fogo do inferno. Protege aquele que o ama e glorifica através de rituais que, quanto mais elaborados, mais benefícios trarão ao praticante. Por outro lado, abandona à própria sorte aquele que lhe é indiferente, castigando-o para que ele possa acordar para sua existência e reconhecer a sua força, o seu poder e a sua glória. Neste nível, há a certeza de que, sem Deus, não há salvação.

O conceito de Deus correspondente ao Anahata Cakra é o de amor: o Deus que a todos ama e tudo perdoa, que oferece a outra face, e está sempre pronto a salvar e a perdoar seus filhos. Normalmente, ele é personificado por um Deus Pai ou Mãe, com os atributos que estes dois arquétipos carregam consigo, tais como: “aquele que tudo dá e nada pede”.

Até este nível, a visão que se tem é a de um Deus pessoal e, por conseguinte, um Deus com atributos.

No nível do Visuddha Cakra, começa a aparecer o conceito de Deus impessoal, isto é um Deus sem atributos ou formas, que se confunde com a noção de Espaço, que é ilimitado. Mais trata-se ainda de um conceito intelectual. Esse Deus é um Ser ilimitado que se opõe ao conceito de limitado dado pelos outros níveis. Um Deus Criador Universal, que criou o céu, a terra e tudo o que vemos. Um Deus que existe nos três períodos de tempo (passado, presente e futuro) e que não tem princípio nem fim.

O conceito de Deus que nos é dado pelo nível do Ajna Cakra é o de um Deus que está em tudo, que é tudo, incluindo em si o próprio indivíduo. Neste nível já não existe uma concepção de um Deus com atributos, um Deus que seja diferente do Ser. Se Ele é tudo, é também o próprio Ser.

No nível do Ajna Cakra já se vive a felicidade plena pois a pessoa não mais se identifica com um Ser limitado como nos demais níveis. É aqui que segundo a Tradição, já se pode ter o sufixo Ananda (felicidade) agregado ao nome, como por exemplo: Shiva + Ananda = Shivananda. É somente a partir dele que a pessoa é considerada “realizada” já não se identifica mais com o corpo, com a mente ou com o intelecto. Mas existem ainda as Vasanas (tendências da personalidade) que vão sendo queimadas à medida que o indivíduo vai se estabelecendo neste nível.

É interessante notar que na Mandala deste Cakra já não existe mais animal alegórico, pois neste estágio não há mais fera a combater, nem elementos materiais e nem paixões herdadas da idade da pedra.

Enfim, no nível do Sahasrara Cakra já se vive a plenitude do Ser e por conseguinte já não existe mais a visão ou o conceito de Deus. Todas as Vasanas (tendências da personalidade) já se extinguiram e, com isto o indivíduo vive num nível Transpessoal ou Transcendental.

http://www.tantrayoga.com.br/artigos8.shtml


     O Yoga e o Ser - Tales Nunes

O Yoga, esse complexo e profundo mapa do ser humano, dá-nos diversos indicativos de como chegarmos à nossa essência, ao Ser. De acordo com os Vedas, o Ser permeia tudo, é criador e criatura ao mesmo tempo. Em nós, indicam os Vedas, esse Ser, ou essa essência universal, reside no coração: “Dentro do coração, em uma pequena cavidade, repousa o Universo.” (Mahanarayana Upanishad)

                 

A primeira pergunta que surge ao refletirmos sobre o Ser é: se essa é a nossa essência, a nossa real natureza, porque não somos, naturalmente, o seu reflexo? Na realidade somos o seu reflexo, mas esquecemos disso. E esquecemos por uma razão básica, a ignorância, ou seja, a nossa identificação, o nosso apego com o ego e com as coisas perecíveis e impermanentes da vida.

Por vezes acho muito curioso e estranho ter um nome: Tales da Costa Lima Nunes. Ser filho de Denise Costa Lima da Rocha e Ricardo Nunes. Ter uma posição dentro de uma família. Existir expectativas sobre quem devo ser, tanto externas quanto internas. Passar o dia conversando comigo mesmo, variando dentro de estados emocionais, agindo movido por eles. Alegrar-me, entristecer-me. às vezes achar-me o centro do Universo, às vezes o mais esquecido por ele. Achar que poderia ser qualquer outra pessoa, bastasse ter tido eu uma história de vida diferente.

Essa empatia com o outro, e ao mesmo tempo esse estranhamento pessoal e a capacidade de posicionar-se como expectador de si mesmo, indica-nos que somos algo além do que normalmente achamos ser. Percebo, intuitivamente em alguns momentos e racionalmente noutros (quando estudo Vedanta), que, em meio a esses altos e baixos, existe algo que é permanente e tranquilo. Algo que está constantemente a observar-se serenamente, uma consciência constante.

 É exatamente a percepção da existência dessa consciência, desse Eu, que fez o poeta espanhol Juan Ramón Jimenez escrever o poema:

Eu não sou eu.

Eu sou alguém que caminha a meu lado.

Que permanece em silêncio quando estou falando.

Que perdoa e esquece quando estou irado, esbravejando.

Que segue sereno quando estou aflito, sofrendo.

E que estará de pé quando eu estiver morrendo.

Eu não sou eu. Eu sou alguém que caminha a meu lado.


Dentro ou fora da tradição indiana, indicativos dessa mesma percepção é-nos fornecido. Marco Aurélio, o imperador filósofo romano, deixou-nos as belas palavras: “Volta o olhar para o teu interior. Aí reside a fonte do bem inesgotável, se o buscares sem cessar.”

Em outro belo aforismo, que em muito assemelha-se ao poema de Juan Ramón Jiménez, Marco Aurélio remete a um conhecimento valoroso e passado a ele por Epicuro, filósofo grego: “Lembra-te, perante qualquer dor, de que esse infortúnio não avilta nem torna pior a inteligência que te governa. Com efeito, para a maioria dos desgostos, encontrarás socorro na palavra de Epicuro: ‘Nenhum tormento será duradouro nem intolerável, caso não o aumente a tua imaginação, e se o vires nas dimensões naturais. Considera ainda que muitas coisas te incomodam sem todavia serem sofrimentos.’”

Esses são indicativos de que este conhecimento está presente em todas as culturas ao longo da história da humanidade. No entanto, o que me espanta cada vez mais é a riqueza em quantidade e qualidade e de detalhe dos escritos indianos acerca do conhecimento do Ser, o que faz desse lugar um palco riquíssimo do que podemos chamar de conhecimento de si mesmo. A Hatha Yoga Pradípika diz-nos que o Yoga é um refúgio para aqueles que sofrem os três tipos de dor: adhyatmika, dor física ou sofrimento psíquico; adhidaivika, sofrimentos provocados por influências planetárias; adhibhautika, aflições produzidas pelos fenômenos naturais. A dor, dizem os textos de Yoga, é inerente ao ser humano. Mas gosto de completar essa afirmação com a idéia de Fernando Pessoa: “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional“. Ou seja, a dor sempre vai existir, mas o sofrimento será tanto maior quanto nos identificarmos com essa dor.

Acredito plenamente, apesar de muitas vezes esquecer, que a natureza é perfeita, é uma sinfonia harmônica. Se a dor é inerente à vida humana, certamente há um antídoto a ela.

Patañjali, com o seu sutra 16 do capítulo II do Yoga Sutra, indica-nos o antídoto com a afirmação de que o sofrimento que ainda não surgiu pode ser evitado. Esse simples aforismo diz-nos muito. Diz-nos que o sofrimento passado não pode ser evitado. O sofrimento passado deixa impressões em nós. Sentimentos que voltam e lembranças que vem e vão. Mas o sofrimento em si, pelo qual passamos anteriormente, nada podemos fazer para apaziguá-lo.

O sofrimento pelo qual estamos passando, temos a possibilidade de apaziguá-lo. Mas, quando mergulhados no sofrimento, é-nos mais difícil de ver a luz. Muitas vezes, sim, uma situação de fragilidade, de sofrimento e a defrontação com a impermanência, na forma de perda de um ente querido, de uma enfermidade, é uma faísca que acende a chama para a busca pelo conhecimento do Ser, que é eterno e imperecível.

No entanto, acredito, o impulso por essa busca de algo maior é inerente ao ser humano, só que geralmente é canalizada para a busca de coisas perecíveis, como dinheiro, fama, bens exteriores. O sofrimento pode, em vários momentos, canalizá-la para o que realmente importa na vida.

Mas, então, como podemos evitar o sofrimento futuro? Compassivamente, para não gerar mais ansiedade em nós, logo no sutra 17, Patañjali indica-nos que a união entre observador e objeto observado é a causa do sofrimento. Portanto, podemos inferir que a saída, a maneira de evitar o sofrimento futuro, é a desidentificação com o objeto observado. Objeto observado aqui pode ser visto como pensamentos, emoções, situações, objetos materiais

Ainda assim, continuamos desamparados quanto a como proceder para nos desidentificarmos com o que é impermanente e ligarmo-nos ao que é eterno. O Atma Vicara, a meditação no Ser, de Ramana Maharshi, é um belo exemplo de prática que pode ajudar-nos nesse processo. Por meio da auto-inquirição chegamos ao Ser:

Quem sou eu, que não sou este corpo?

Sou o Ser (que é imaterial, imutável e imperecível).

Quem sou eu, que não sou esta mente que pensa?

Sou o Ser (que é serenidade e paz).

Quem sou eu, que não sou os cinco sentidos?

Sou o Ser (que é silêncio e comunhão).

Quem sou eu, que não sou as emoções?

Sou o Ser (que é ponderação e equilíbrio).

Quem sou eu, que não sou sensações?

Sou o Ser (que é satisfação).

Quem sou eu, que não sou desejo, necessidade, vontade?

Sou o Ser (que é plenitude).

Quem sou eu, que não sou passado, presente e nem futuro?

Sou o Ser (que é atemporal, eterno).

Quem sou eu, que não sou ego, personalidade?

Sou o Ser (que é tudo).

Quem sou eu, que não sou os papéis que represento?

Sou o Ser (que é a verdadeira natureza, a verdadeira identidade).

Quem sou eu, que não sou individualidade?

Sou o Ser (que é uno).

Quem sou eu, que não sou orgulho nem vaidade?

Sou o Ser (que é simplicidade).

Quem sou eu, que não sou insegurança nem medo?

Sou o Ser (que é luz).

É um processo semelhante ao de se chegar ao Sol por meio da Lua cheia. A Lua está lá, plena, cheia, brilhando. E, por trás dela, está o Sol, a iluminá-la. Quando estamos conectados a nossa luz interior, vemo-nos como luas cheias, como pessoas plenas e completas, iluminadas pela luz da consciência. Quando, porém, essa luz é ofuscada pela nossa ignorância existencial, vemo-nos minguado. Mas o Sol está sempre lá, brilhando, independente da maneira como vemos a Lua. Ninguém diz que o Sol perdeu a sua luz apenas porque a Lua está em sua fase nova. Da mesma maneira, independente da maneira como nos vemos, a consciência está sempre lá, brilhando. Nós, porém, de forma ignorante, achamos que não temos ou que não somos luz por vermo-nos momentaneamente de maneira incompleta ou ofuscada.

O Ser é a razão da existência. Ser é, em si mesmo, plenitude, independente de como estamos. A realização disso é a razão de estarmos aqui. Lembrar disso constantemente, eis a questão. Então, deixo, humildemente, dentro da minha compreensão e baseado em muito do que li de mestres que deixaram o seu legado, dicas práticas de como lembrarmos-nos desse conhecimento que causa uma reviravolta na maneira como estamos acostumados a vermo-nos. Um conhecimento que nos centra internamente para, na realidade, descentrar-nos. Ou seja, faz-nos reconhecer como consciência e luz, e, ao mesmo tempo e consequentemente, todos e tudo como essa mesma consciência, esse mesmo todo.

Seguem algumas indicações:

·         Reservar momentos diários para a contemplação e para a meditação.

·         Em meditação, pensar que a nossa inspiração, em realidade, é a expiração do Universo para dentro de nós, e que nos preenche. E que a nossa expiração, em realidade, é a inspiração do universo, que nos suga o ar e que nos esvazia.

· Manter contato com a natureza. Isso faz-nos lembrar que fazemos parte do todo.

· Ouvir músicas que nos toquem no sentido de reforçar nossa lembrança do conhecimento interior.

· Ler poesias que nos toquem dessa mesma forma.

·  Fazer trabalho voluntário, em benefício dos outros.

· Olhar a Lua cheia nascer (algumas pessoas desconhecem que isso acontece uma vez a cada mês).

· Olhar o Sol se pôr (isso é mais fácil, pois a cada dia temos esse espetáculo).

· Olhar as pessoas nos olhos.

· Escolher um objeto pessoal que o remeta a consciência do todo. Mantenha-o próximo aos seus olhos e diariamente reverencie-o como símbolo dessa consciência.

· Obsevar o que e quem nos faz sentirmos plenos e completos e perceber que essa pessoa ou objeto é apenas um veículo que despertou em nós o que somos em essência.

Depois de escrever isso tudo, desejo que este conhecimento faça parte da minha vida tanto quanto da sua. Desejo que lembremos desse conhecimento constantemente. Que as palavras da Mahanarayana Upanishad ecoem em nossas mentes: “Dentro do coração, em uma pequena cavidade, repousa o Universo.”

E quando assim estivermos, vivendo esse conhecimento apreendido, que as sábias palavras do Atharva Veda façam-se verdadeiras em nossos corações: “A Terra é a minha mãe e eu sou o seu filho”. E, então, que a vejamos assim e a respeitemos assim. Que, como filhos da mesma mãe, vejamo-nos como irmãos. E, como irmãos, que nos ajudemos a crescer mutuamente – pois o crescimento do outro é o nosso próprio crescimento – como contempla a Taittiriya Upanishad:

Om, que estejamos sempre unidos e bem nutridos.

Que estejamos sempre unidos e protegidos.

Que trabalhemos juntos.

Que progridamos juntos.

Que nosso conhecimento seja luminoso e realizador.

Que nunca haja inimizade entre nós.

Que haja paz, paz, paz.


Originalmente publicado em 26 de novembro de 2007 em www.yoga.pro.br e republicado em www.vidadeyoga.com.br



Sadhana e Liberdade -– Por Goura Nataraj Das

Para Epictetus, importante filósofo estóico do período romano, a verdadeira liberdade consiste em considerar as coisas como realmente são, e não como somos acostumados a senti-las, sempre sobre a influência de condicionamentos que, nem sempre, o que vale dizer, quase nunca, nos representam o quadro fidedigno do mundo em que vivemos.

                    

Existem coisas que estão sobre o nosso controle, tais como concepções, escolhas, desejos e aversões, e coisas que não estão, as quais são, para o filósofo, nosso próprio corpo, propriedades, reputação e atividades. Se alguém considera o que não é propriamente seu como o sendo, ou o contrário, está numa posição vulnerável, onde qualquer acidente ou falha em seus planos de felicidade e prosperidade irá causar um grande transtorno e será inevitavelmente fonte de sofrimentos.

O homem livre é aquele que sabe o que é verdadeiramente seu. Os estóicos costumavam contar a história de Estilpão, um filósofo que teve sua cidade saqueada, suas posses roubadas, sua família violentada, e que, ao ver tudo isto, declarou aos usurpadores que nada do que era realmente dele havia sido sequer tocado.

Omnia mea cum me porto

“Todas as coisas que são minhas eu carrego comigo!”

Para os estudantes de Yoga, de todas as tradições, isso não é algo pouco familiar. No Yoga Sutra, Patañjali (II:5) já define a ignorância, avidya, como sendo a ação de “considerar o impermanente (anitya) como permanente (nitya), o impuro (ashuchi) como puro (shuchi), o doloroso (duhkha) como agradável (sukha) e o não-eu (anatmasu) como o eu (atma)”.

Ou seja, ignorância é dar um valor às coisas que não lhe é autêntico, por mais que a aparência pareça exigi-lo. Maya significa “aquilo que não é”. A principal ignorância, para os rishis védicos, é aquela na qual o sujeito não consegue se observar corretamente e ter a correta compreensão de quem realmente é. Diz-se que uma das primeiras lições no estudo do Yoga é perceber que não somos estes corpos que habitamos, e que a íntima ligação que temos com eles, ou seja, qualquer fenômeno físico que aconteça nesta parte da matéria que chamo de “meu corpo”, é interpretado por mim como uma sensação, que irá por sua vez provocar um sentimento. O aumento do fogo gástrico, por exemplo, é entendido como “sinto fome”. O conforto, uma adequação, um encaixe entre meu corpo e outros corpos. Naturalmente, dessa forma, passo a pensar que sou este corpo, e que, conseqüentemente, tudo o que rodeia este corpo também me diz respeito. No Bhagavata Purana (V:5,8) isso é descrito como a mentalidade de aham mameti – eu e meu.

No entanto, esse “eu e meu” são na verdade “não-eu e não-meu”, pois são avidya, manifestações da ignorância que impedem o homem de perceber a unidade de tudo o que existe. Num dos mais belos versos da Gita (V:18), Krishna diz à Arjuna que os verdadeiros sábios, os autênticos panditas, em virtude do conhecimento (vidya), vêem com visão equânime (sama darsinah) um brahmane, uma vaca, um elefante, um cão e até mesmo um comedor de cães. Vezes e mais vezes, Krishna atesta essa verdade sob diferentes pontos de vista, mostrando como tudo tem origem na divindade (Gita, X:8), e avidya é não conseguir perceber isso e conduzir a vida sob falsas premissas e prerrogativas mentirosas.

Definindo o Yoga

Tarefa ingrata para o estudioso sistemático, a busca por um sentido conciso e acabado para a definição de Yoga esbarra na maleabilidade e fluidez que o termo carrega consigo. Etimologicamente, tem sua origem na raiz yuj, “juntar”, “unir”. O gramático Panini diz que Yoga possui um significado semelhante ao sentido original de “religião”, união com o Supremo. Patañjali define-o como a “cessação de todas as alterações da substância mental”.

Para os estudantes de Vedanta, Yoga é o retorno de jivatman, a alma individual, ao Paramatman, a Superalma. Também podemos entender Yoga como um sinônimo de marga, caminho; assim, encontramos o termo Karma Yoga (caminho da ação), Bhakti Yoga (caminho da devoção), Jñana Yoga (caminho do conhecimento).

E se pensamos que com essa lista de significados estamos perto de uma conclusão final, podemos estar certos de que existem ainda muitos outros. Existe, na tradição, uma distinção entre o significado literal de um termo, ou de uma teoria, e seu significado esotérico. Esse último é a realização, a vivência do conteúdo interno do termo, feito por mestres e santos que puderam apreendê-lo e interiorizá-lo.

O Yoga, de uma forma geral, parte dessa proposta. Ele não se satisfaz em ser um conhecimento meramente teórico e superficial da realidade. Como diz Feuerstein: “O Yoga é um ataque frontal aos padrões fixos de pensar e agir adquiridos no curso de vida do sujeito. Ele tem como objetivo a emancipação da ‘idéia inata’ interna que está enterrada nas profundezas da psique, através da retirada das coberturas de falsas identificações e outros depósitos psíquicos dispensáveis”.

Podemos dizer isso de outra forma, simplesmente afirmando que Yoga é uma ação. Envolve uma atitude ativa do sujeito. De fato, este é convidado e instigado a deixar de ser um “paciente”, alguém que simplesmente sofre e recebe as coisas do mundo (lembrar do sentido original da palavra grega pathos, que aparece, no português, como “paixão”, no sentido de “padecer”, “sofrer a impressão de algo”), para tornar-se um agente de sua própria vida.

O Yoga trabalha com a situação humana como um todo, e propõe uma tarefa ambiciosa de obtenção de uma liberdade total, liberação de todo sofrimento e condicionamento, e reconhecimento da verdadeira natureza do ser. Por isso existe um tipo de paradoxo nos “praticantes” modernos de Yoga.

Essa não é uma simples prática ou estudo que se faz em um período da semana, durante as horas em que tentamos fazer asanas, pranayamas ou um pouquinho de meditação. Yoga é a disposição mental, o trabalho interno que deve ser feito durante as 24 horas do dia, a cada respiração. Não devemos pensar em praticar Yoga, mas sim em viver o Yoga. Isso é semelhante ao que Krishna afirma numa das primeira vezes em que o termo Yoga aparece na Gita (II:48): “Fixo no Yoga (Yoga sthah), execute seu dever, ó Arjuna, conquistador de riquezas, abandonando o apego a sucesso ou fracasso. Essa equanimidade (samatvam) chama-se Yoga.”

Svami Bhaktivedanta Prabhupada (1896-1977), importante mestre do Vaishnavismo, no seu comentário desse verso escreve: “Krishna diz a Arjuna que ele deve agir em Yoga. E o que vem a ser Yoga? Yoga significa concentrar a mente no Supremo e controlar os sempre perturbados sentidos. E quem é o Supremo? O Supremo é o Senhor. E porque Ele mesmo está dizendo à Arjuna que lute, este nada tem a ver com os resultados da luta. Ganho ou vitória são da alçada de Krishna; Arjuna é aconselhado a simplesmente agir segundo a ordem de Krishna; seguir a ordem de Krishna é o verdadeira Yoga…”.

Agir em Yoga, diz Krishna dois versos adiante, “é a arte, a perfeição de todo trabalho, de toda atividade” (Yogah karmasu kaushalam).

Origens do Yoga

Na própria Gita (IV:3), o Senhor Krishna revela que esse conhecimento do Yoga é muito antigo (puratanah), tendo sido ensinado, por Ele mesmo, previamente ao próprio deus do Sol, Surya/Vivasvan. Tal conhecimento foi transmitido oralmente numa corrente de mestres e discípulos chamada de parampara. Em termos históricos, o Yoga é certamente pré-cristão, já aparecendo em descrições do Rg Veda e, segundo alguns estudiosos, na civilização do Indus-Sarasvati.

Não temos muitos recursos para atestarmos detalhes históricos sobre o nascimento do Yoga, tanto que isso nem é levado muito em consideração pelos próprios indianos, visto que o importante é que o Yoga funciona, tenha ele 30.000 ou 3.000 anos de idade.

Feuerstein afirma: “O Yoga exposto por Krishna é, como o próprio mestre divino afirma, a restauração de tradições antigas que haviam sido esquecidas no decorrer do tempo. Existe, de fato, pouca coisa na Gita que não possa, embora em forma germinal, ser detectada em um ou outro hino do Rg e Atharva Veda. O feito extraordinário de Krishna está em Ele ter injetado nova vitalidade em antigos ensinamentos e tê-los elaborado de uma forma coerente”.

A idéia central, que é retomada vezes e mais vezes na Gita, iguala o Yoga como uma forma de agir, como vimos acima. Assim, temos o sexto capítulo iniciando com uma definição do yogi, o místico que busca a libertação última, moksha.

Anashritah karma-phalam karyam karma karoti yahsa sannyasi cha yogi chana niragnir na chakriyah.

“O yogi, o sannyasi, é aquele que não toma abrigo (anashritah) no fruto da ação (karma phalam) e que age por uma questão de dever (karyam); não aquele que não acende fogo algum (na niragnir) e não cumpre nenhum dever, que não age (na chakriyah).”

O ser vivo é ativo por natureza. A consciência se manifesta como percepção e movimento. Em seu estado condicionado, dentro do mundo material, busca pelas suas qualidades inatas (sat/chit/ananda) no contato com os objetos dos sentidos. No entanto, tudo nesse mundo é asat, temporário, e, portanto, para a filosofia Vedanta, não-existente. Aquilo que veio a ser um dia, e no futuro terá um fim, não possui existência verdadeira.

Somente aquilo que é estável e eterno é sat. Para um iniciante no Yoga, chamado por Krishna de arurukshoh, a tendência natural é buscar, por causa da frustração com o mundo, o afastamento das atividades, a não-ação, visto que, erroneamente, julga todas as ações como maculadas pelo karma. Não consegue ver a possibilidade de uma ação que não incorra numa reação vindoura, atando-o perpetuamente ao ciclo dos condicionamentos.

No entanto, o Yoga é justamente a ação que não provoca reação. É o contato do sujeito com o mundo sensorial sem o anzol que o prenderá à morte. Ou, pensando no Yoga Sutra, é o contato do Purusha com Prakriti que não envolve sofrimento. Justamente por isso, encontramos, de forma até mesmo repetitiva, a insistência numa disciplina de regulação dos sentidos, de equanimidade com o mundo objetivo.


Nessa visão, o yogi vê com os mesmos olhos o frio e o calor, a felicidade e a tristeza, a honra e a desonra, os amigos e inimigos. Não que não sinta a rigidez do inverno, ou a alegria de uma amizade verdadeira, mas consegue perceber que quer esteja nessas situações, quer em seus opostos, ele, o observador, aquele que está em contato com o que está fora de si, é sempre o mesmo. Não é isso a mesma coisa dita por Patañjali logo no início de seus aforismos?

Quando se está no estado de Yoga, nessa concentração especial da qualidade mental (chitta), o sujeito permanece em sua própria natureza, svarupa; e, nos outros casos, ou seja, quando a chitta está alterada, identifica-se com os objetos de sua percepção. Observa-se como homem, mulher, chinês, indiano, jovem, velho, doente, são, inteligente, néscio, animal, vegetal, e se identifica plenamente com o personagem que assumiu. Isso, em sânscrito, recebe o nome de ahamkara, o falso ego, que se julga o responsável, o fazedor das coisas.


Quando compreendemos isso, no estudo da Gita, passamos a entender porque Krishna começa seus ensinamentos mostrando a natureza espiritual do ser, distinta da matéria, e que esta é apenas uma cobertura, uma roupa por ele assumida. Também observamos com maior clareza a afirmação de que a mente (chitta) pode ser tanto nossa melhor amiga como nossa pior inimiga. “Para quem conquistou a mente, esta é o melhor dos amigos; mas para quem fracassou neste empreendimento, sua mente continuará sendo seu maior inimigo.” (Gita, VI:6).


A mente amiga é aquela que desvela a identidade pura do Ser; a inimiga é aquela que o mostra como suas coberturas. Chaitanya Mahaprabhu (1486-1524) diz que a mente é tal qual um espelho capaz de refletir a identidade original da alma. No entanto, presa no samsara, se torna semelhante a um espelho sujo, não conseguindo refletir a pureza espiritual.


A prática de Yoga é tanto a limpeza final do espelho mental, quanto o estado gradual de purificação. A sujeira a ser retirada é nossa ignorância, avidya, que impede o reconhecimento da Verdade.

Embora seja um diagnóstico um tanto quanto simples, a realização de tal proposta é, além de muito exigente, difícil de ser posta em prática. Por que? Bem, Arjuna responde em nosso lugar (Gita, VI:34), afirmando que a mente é chañcalam, flutuante/inquieta, pramathi, turbulenta, bala-vat, muito forte, e drdham, obstinada; e subjugá-la é tão difícil quanto controlar o vento.

A mente está, desde tempos imemoriais, acostumada a agir de um jeito, e, por mais que nossa determinação e inteligência pensem o contrário, ela não irá ceder. Mais uma vez, a resposta de Krishna mostra a concordância entre o que Ele está propondo com o caminho eterno (anadi) da tradição védica, reinterada posteriormente por Patañjali.

Ele admite que, sem sombra de dúvida (asamshayam), é muito difícil refrear a mente, mas existem dois métodos que devem andar de mãos dadas e que certamente irão trazer o sucesso para o yogi. Estes são abhyasa, a prática constante, e vairagya, o desapego

São considerados uma “interação dialética de esforço positivo e renúncia”, diz o Professor Klaus Klostermaier. Não é surpresa que sejam esses mesmos termos os que Patañjali usa para descrever o método que visa a trazer a cessação das flutuações da chitta. “Essas alterações mentais são contidas pela prática (abhyasa) e pelo desapego (vairagya).” (Yoga Sutra, I:12)

E qual é a função deles, de fato, no sadhana do praticante? O Yoga Bhasya, o mais antigo comentário do Yoga Sutra, diz: “A corrente da mente (chitta) flue em duas direções: ela vai em direção ao bem e também em direção ao mal. Aquela corrente que tem início com o discernimento (viveka) e que conclui na emancipação, é a corrente do bem. Aquela que inicia no não-discernimento (a-viveka) e que termina na existência condicionada (samsara) é a corrente do mal. Pelo desapego, a tendência que leva aos objetos mundanos é contida, e, pela prática da visão discriminativa, a corrente do discernimento (que conduz à emancipação) se estabelece.” (Yoga Bhasya, I:12)

É necessário, portanto, haver um esforço constante num pólo positivo, que é o sadhana, a prática repetitiva de asanas, pranayamas, mantras e meditação, que busca levar a mente a um estado diferente do qual ela está acostumada nas situações normais da vida, e num pólo negativo, que é a renúncia, o desapego, o abrir mão das coisas e das atitudes que não nos são construtivas.

Por um lado, agimos com intenção no sadhana, e, por outro, deixamos os frutos do sadhana se manifestarem, não nos apegando a uma situação, seja por conforto ou por medo. Dessa forma, o Yoga propõe um meio de se obter uma verdadeira liberdade, baseada naquilo que realmente somos, construída sobre a essência do eu, sat (existência, eternidade), chit (consciência, conhecimento) e ananda (bem aventurança, felicidade).

A guerra de Arjuna contra a ilusão, contra aquilo que confunde, aprisiona, condiciona, ilude e entorpece o espírito, é o mais puro manifesto da afirmação da vontade que quer se sentir livre. A experiência da liberdade precisa ser vivenciada, não apenas entendida, por mais que isso já seja um grande passo. O sadhana é o caminho a ser trilhado na vida diária, é a aplicação do conhecimento do Yoga no momento presente.

http://www.ekadantayoga.com.br/sadhana-e-liberdade.html


     Visão Integral

Por Paulo Murilo Rosas

"Todos os tipos de Yoga são todos verdadeiros e necessários, todos apontam para um determinado nível de consciência"


Nas minhas tentativas de integrar todas as visões do Yoga muitas vezes sou perguntado se não seria melhor eu me conformar com essa visão de diversidade das várias escolas ou tipos de Yoga sem tentar integrá-las.

 

Sinceramente acho uma beleza este pluralismo. Contudo também penso que se permanecermos nessa etapa de diversidade promoveremos a fragmentação, a separação e não a unidade. Acho que não basta reconhecer as diferenças que nos distinguem; temos que ir mais além e começar a re”conhecer” as similaridades que nos aproximam e nos unem, caso contrário, contribuiremos para a fertilização de um amontoado de partes e não para o Todo que, em última instância, é o que preconiza oYoga.

 

Todos os tipos de Yoga são todos verdadeiros e necessários, todos apontam para um determinado nível de consciência sem o qual ela não poderia existir; níveis esses que são constitutivos da própria personalidade de cada indivíduo.

 

E a razão que vejo para a existência destes pontos de vista divergentes é que cada um deles está tentando transformar seu próprio caminho no único real ou importante, no único digno de ser seguido pelos demais, pois somente ele levaria ao autoconhecimento.

 

A visão total nos mostra que cada uma dessas linhas de Yoga é parte de uma série de verdades que vão se encaixando num contexto. Cada uma é verdadeira quando enfatiza o seu próprio contexto, mas falsa quando tenta negar a realidade, a importância ou o significado das outras.


http://www.tantrayoga.com.br/artigos13.shtml



Afirmações científicas de Paramahansa Yogananda

por José Hermógenes

Encontrei em Paramahansa Yogananda (1893 – 1952) aquilo que, não deixando de ser linda poesia, poderíamos conceituar como uma oração yogika, uma prece perfeita.

Transforme-a o leitor em ritual diário.

Repita-a. Faça com que ela penetre em todos os planos da consciência. Viva-a com a integridade de seu ser.

Para melhor efeito, atenda às recomendações que se seguem:

1. Sente-se virado para o norte ou para o oriente. Olhos docemente fechados. Mãos nos joelhos, com as palmas para cima.

2. Cerre os olhos, relaxe-se todo e concentre a atenção nas várias partes do corpo a que se referir durante as afirmações.

3. Mantenha a verticalidade da coluna. Faça em seguida três respirações profundas, pensando, ao inspirar, que inala as energias e virtudes curativas de que necessita, assim como tranquilidade absoluta. Cada vez que exalar, convença-se de que está expulsando o que danifica e perturba o organismo e a mente.

4. Conserve imobilidade, relaxadamente. Elimine todo pensamento inquietante e procure afastar as sensações como peso, temperatura, sons…

5. Encha a mente de devoção, vontade e confiança. Viva intensamente a convicção de que a Lei Divina atua e é onipresente, desde que não seja obstada pela dúvida ou falta de fé.

6. Esqueça-se completamente da classe de cura que está buscando. Saiba que Deus é suficientemente sábio e bondoso para socorrê-lo da maneira mais eficiente. Não pense em doença. Pense na sua cura perfeita, suave, definitiva. Sinta que, a cada palavra sua, a recuperação progride…

7. Diga com unção:

Em cada altar de sentimento,
de pensamento e de vontade,
oculto moras Tu.
Oculto moras Tu,
pois Tu és sentimento, vontade e pensamento.
Tu, que os guias,
faz com que saibam seguir-Te, faz com que Te sigam,
para que sejam como Tu és.
No templo da consciência,
a Luz, Tua Luz, tem estado sempre,
mas eu não soube vê-la.
O templo resplandece e está íntegro.
Sonhei que o minavam
o medo, a ansiedade, a ignorância.
Agora que me despertaste,
agora que me tens despertado,
encontro o templo íntegro.
Encontro o templo íntegro,
e nele quero adorar-Te.
E nele quero adorar-Te…
Amo-Te no coração.
Amo-Te nas estrelas e nos seres humanos.
Amo-Te em todos os animais e plantas,
nas células de meu corpo.
E, no corpo, nas estrelas, na nebulosa…
quero adorar-Te.
Quero adorar-Te em toda parte.
Tua vontade divina,
que se fez humana em mim,
brilha em mim, brilha em mim.
Eu quererei e desejarei,
pensarei e agirei,
guiado sempre por Ti.
Eu quererei e agirei
com vontade plena;
pleno de Ti…

Faz-nos qual crianças, Pai,
pois delas é o Teu Reino.
Tu nos queres perfeitos.
Como és Tu perfeito, assim o somos:
Em corpo, em mente e em saúde,
igual ao que Tu és.
Tu és perfeito, Pai,
e somos filhos Teus.
Tu estás em toda parte,
e onde estás está a perfeição.
Tu estás no altar de cada cédula,
em cada célula do corpo.
Minhas células são sãs.
Minhas células são sãs e perfeitas.
Faz com que eu Te sinta nelas,
em todas elas, em cada uma delas.

Ó, Vida de minha vida. Tu és são,
e estás em toda parte:
em meu cérebro, em meu coração,
em meus olhos, em meu rosto;
assim como em meus membros.
Tu moves meus pés.
São sãos e perfeitos.
Estás em minha pele, membranas, mucosas…

São todas sãs, perfeitas.
Tu cintilas em minha medula.
Está sã. É perfeita.
Fluis por meus nervos.
São perfeitos e sãos.

Por minhas veias e artérias Tu circulas.
São sãs e perfeitas.
Estás em meu estômago e em todas as minhas entranhas.
São sãs e perfeitas.
A saúde e a perfeição moram em minhas vísceras, aparelhos e tecidos,
pois Tu as animas e sustentas.
Todo o meu corpo é são e perfeito:
Tu nele resides.

Tu és meu e eu sou Teu.
Tu és eu. Eu sou Tu.
És meu cérebro.
Ele é lúcido e são, pois Tu és a luz e a saúde.
Minha imaginação tem poder criador;
estou são ou doente
quando assim o penso.
A cada dia, a cada hora,
tenho saúde mental e física.
Estou são e alegre.
Estou sadio e feliz.
Sonhei que me achava doente,
mas despertei e sorri.
Era apenas um sonho.
Até aqui, estava apenas sonhando
que estava enfermo.
Estou são. Estou perfeitamente sadio.

Faz-me, Pai, sentir
Tua vibração de amor,
pois sou Teu filho.
Pois, bom ou mau, sou Teu filho.
Faz-me, Pai, sentir
a vibração de Tua saúde
e conhecer Tua sábia vontade.

http://www.ekadantayoga.com.br/afirmacoes-cientificas-de-paramahansa-yogananda.html


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